quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Da Estrutura Física / Patrimônio Material: 'Templos' ou 'Casas de Oração'? "

I - Introdução:

Templos: Panorama Histórico


Em período consideravelmente anterior a primeiras edificações denominadas “templos” (lat.: “templum”), as populações pré-civilizadas já lançavam os rudimentos daquilo que viria a constituir seus futuros “locus sagrados”. Assim, utilizavam-se os ápices dos montes (“lugares altos”), determinadas árvores (em especial, o carvalho), o interior dos bosques e entranháveis florestas. Nestes, edificavam-se penhas (pedras-altares) e mais tardiamente os totens (bem como obeliscos - Egito).


Acima: Bosques "Sagrados"/Pedras Rituais/Obelisco egípcio


Os templos, propriamente ditos, vieram e despontar em meio às construções residenciais comuns apenas na época em que, ao redor dos locais tradicionalmente destinados ao “culto”, elevaram-se muros (ou muralhas) como medidas cautelares. Contudo, permaneciam descobertos, a fim de que os CÉUS se tornassem plenamente visíveis a partir de seu interior. Tal regra tornou-se aplicável a praticamente todos os povos primitivos, visto considerarem os céus a habitação comum a todos os deuses. A propósito, as divindades primevas foram desde os mais remotos dias associadas aos astros, como se pode observar, sobretudo, entre os mesopotâmicos e balcânicos.

Os primeiros templos vieram a ser erigidos em território mesopotâmico (“Terra entre rios"), mais precisamente em meio aos os sumérios, por volta do IV milênio a.C., alcançando seu apogeu nos dias babilônicos. Os primitivos templos mesopotâmicos, à base de tijolos secos ao sol, eram em tudo simples: quatro paredes e, ao fundo o ídolo titular (a céu aberto). Os mais imponentes templos, todavia, foram edificados sob a administração Babilônica, em forma de zigurates (pirâmides terraplanadas). Entre os mais célebres, encontram-se Marduk, também denominado Esaguil ("casa do teto alto"), flanqueado, ao norte, pela torre em degraus, o zigurate. Este zigurate, chamado "Etemenanqui", ("templo dos fundamentos dos Céus e da Terra"), alude a “Torre de Babel", cuja base em quadrado, possuía 91 metros em ambos os planos (horizontal e vertical). A torre mencionada, alvo dos ataques comandados pelo monarca assírio Senaqueribe, foi posteriormente reconstruída por Nabopolassar e seu filho Nabucodonosor.

Zigurate Babilônico



Os gregos, por seu turno, esmeraram-se em suas edificações rituais, legando ao mundo ocidental, o “cânon” arquitetônico, predominantemente vigente até os presentes dias.



Templo de Diana/Ártemis ("dos efésios")


Ressalte-se, todavia, que tanto uns como outros, limitam-se atualmente a algumas poucas ruínas... Seu esplendor e fausto reduziram-se a vagas lembranças, tal qual as divindades que outrora abrigaram...

Templo grego/Ruínas

Zigurate Babilônico/Ruínas


II – O Templo Veterotestamentário ou Templo de Salomão:


Templo de Salomão


Muito embora “IHVH”, não tenha formalmente reclamado - como prioridade ou condição imposta - a edificação de uma “Casa” para sua morada, aprouve a Davi, intentar tal projeto, julgando o Tabernáculo móvel, inadequado ante suas conquistas e poderio bélico.

Contudo, dadas as suas flagrantes iniqüidades, não lhe coube o mérito de lançar os bases da futura obra. Salomão, pois, levou a cabo o pretensioso empreendimento. Destaque-se, ainda, que muito do que fora aplicado à edificação do templo dispunha de procedência gentia ou pagã, podendo-se afirmar o mesmo, no tocante ao estilo arquitetônico e demais traços comuns à cultura babilônica. Bem, não obstante, “IHVH” tenha acatado tão majestosa oferenda, não muito tempo depois, passa a demonstar contínuo desapontamento, em face das inúmeras transgressões e generalizadas incontinências, doravante comuns à população judaica.

O primeiro templo é destruído (sob Nabucodonosor). Zorobabel o reedifica (sob Ciro)... Novamente sofre danos, e generalizada deterioração... Herodes I (da Judéia) o reconstrói... Finalmente, em 70 d.C. (segundo predito pelo Divino Mestre) é assolado por Tito, General Romano.



Tomada de Jerusalém

(Destruição do templo por Tito, "O Romano")



III – Os primitivos cristãos e seus locais de “culto”:


Sabe-se, segundo evidenciam os textos neotestamentários canônicos, que os primitivos adeptos cristãos, congregavam-se em locais diversos, não havendo (segundo as circunstâncias predominantemente adversas) um “lócus” especificamente determinado para este fim. De tal modo, que o “cenáculo” lhes serviu de provisório abrigo no interstício cruxificação-pentecostes. Também, afluíam às casas particulares e, não poucos ainda mantinham-se assíduos ao templo judeu (Atos 2:46/20:20). Aliás, por determinado período e, em distintas localidades, instaurou-se o modelo eclesial “comunal” (“tudo em comum”), ainda utilizado por alguns segmentos de menor realce no meio protestante, como as “Colônias Huterianas”. Na medida em que o Evangelho propagou-se rumo ao oeste do Império, núcleos familiares adquiriram com intensidade cada vez maior o “status” de “ekklésia” local (Romanos 16: 3-5 / Colossenses 4:15...). Destaque-se ainda, que durante as mais atrozes perseguições romanas, não poucas “catacumbas”, converteram-se em núcleos de refúgio e “culto”. Finalmente, com o advento da Grande Apostasia, ou “Igreja Constantiniana” (séc. IV), surgiram os chamados “templos cristãos” ou, “igrejas auditório”... Diga-se de passagem, que muitos desses “templos” utilizaram-se de edificações anteriormente dedicadas às divindades gentias (“pagãs”) ou, fizera-se uso de seus despojos (colunas, mármores, ídolos...)... Daí por diante, o Império supostamente “cristão”, passa a erigir ou ADEQUAR seus templos (ou “igrejas”) em larga escala. Um dos mais memoráveis em sua antiguidade e estrutura é o “PANTEÃO de Agripa”, originalmente dedicado à miscelânea de divindades gentias então catalogadas e, por determinação clerical convertido em “templo cristão”....


Panteão de Agripa/Roma


IV- A Congregação Cristã contemporânea e suas edificações:

A Congregação Cristã, desde seus primórdios, ateve-se a uma “modalidade doutrinário-organizacional” acentuadamente anti-institucionalizada, em conformidade com as diretrizes e norteadores comuns aos Dias Apostólicos. Por essa razão, Louis Francescon, “O Ancião”, sempre primou pela perpetuação de uma condição eclesial não formalizada, o que implica entre outras coisas, na ausência de nomenclatura e “lócus”. Entretanto, em razão de sua expansão numérica/geográfica, e em sujeição as determinações apostólicas acerca dos deveres para com o Estado, pareceu-lhe adequado restabelecer o original distintivo, universalmente aplicado à coletividade cristã desde os alvores de nossa Era, a saber: “Congregação Cristã” (“Ekklésia Christiana”/ “Igreja Cristã”). Além disso, e como conseqüência imediata, tornou-se premente a aquisição de locais e/ou instalações para a oficial realização de suas reuniões e afins.

Assim, da rústica e inexpressiva “sala de oração” provisoriamente erguida no município de Santo Antônio da Platina (Paraná), abrigando aos neo-convertidos locais, deu-se início a uma nova e ininterrupta etapa, caracterizada pela edificação de “Casas de Oração”, devidamente adaptadas às peculiaridades doutrinário-eclesiológicas comuns ao segmento.

Primeira "Sala de Oração" provisoriamente improvisada

(ao lado, o primeiro "neófito")

Santo Antônio da Platina/PR


Ora, partindo-se da premissa de que o Novo Pacto instaura um inédito estágio no âmbito soteriológico, presume-se que determinados “modus operandi” ainda atrelados ao Primeiro Concerto, venham a ser naturalmente suplantados... Tal se dá (entre outros) para com o conceito de “Recinto Sagrado”... O próprio “IHVH” (segundo as descrições supra-citadas / “Templo Veterotestamentário ou Templo de Salomão”) manifestou-se (direta e indiretamente) avesso ao ato de edificar-lhe “casa ou morada”... O simples fato, de haver consentido na quase extinção do derradeiro templo (sob o saque empreendido por Tito, o Romano), já expressa seu desalento... Ademais, emite parecer expressamente censurável em citações como:


“O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que CASA me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?


E Paulo, ao deparar-se com os muitos santuários dispersos pela vastidão de Atenas, veementemente declara:

“O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em TEMPLOS feitos por mãos de homens...”(Atos 17:24)

De sorte, que a Congregação Cristã atual julgou escrituristicamente improcedente a edificação de TEMPLOS, segundo a acepção milenarmente conferida aos mesmos, isto é, “Morada ou habitação da Divindade” (Gr.:”nauis”). Desta feita, não lhe é próprio atribuir às suas edificações ou prédios a designação habitualmente usual nos círculos protestantes ou católicos romanos, a saber, “templos”, ou ainda “igrejas” (sendo esta última, etimologicamente equívoca – Ver artigo "Etimologia -Ekklésia Christiana”).

Pelas mesmas razões apresentadas, tende ainda a evitar a expressão “Casa de Deus”. Considerando-se, que a clássica citação contida em I Timóteo 3:15 acerca da “Ekklésia” como sendo a “Casa de Deus” remete-se (em sua precisa acepção etimológica) ao caráter figurado ou analógico, depreende-se que o vocábulo grego “oikos” refere-se não ao espaço físico, mas àquilo que se desenvolve “em lar”. Portanto, a tradução mais adequada ao contexto em pauta seria “família” e não propriamente “casa”. É desde longa data sabido, que a tradução efetuada por João Ferreira de Almeida deixa a desejar em inúmeros quesitos. Nesse particular, verte a idéia de FAMÍLIA por CASA (espaço físico), induzindo o leitor leigo a um relevante déficit interpretativo. Não raro, inúmeros preletores “teológicamente” renomados, incorrem em tal despautério, atribuindo a expressão à idéia subjacente a “NAOS” (TEMPLO). O fragmento, pois, alude a “Ekklésia”, Corpo Espiritual (ou “Místico”), no qual o Eterno subsiste na pessoa de seus membros (vide I Pedro, 2:5).

Essa concepção sobremaneira espiritual tornou-se, o diferencial por excelência em toda a Dispensação Neotestamentária, contrapondo-a frontalmente a literalidade comum ao Antigo Pacto. De tal modo, que Paulo surpreendentemente eleva o cristão à condição de “naos”:

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Corintios 3:16).

Aliás, nada mais faz que reiterar um parecer, subliminarmente emitido pelo Divino Mestre:

“Mas ele falava do templo do seu corpo” (João 2:21)

E, respaldando a presente explanação, atenhamo-nos ao fato de que, em contrapartida à Jerusalém terrestre, a Jerusalém Celestial não comportará templo algum:

“Nela não vi templo...” (Apocalipse 21:22)



V - “Casas de Oração”: Parâmetros e Configurações





Casa de Oração Central / São Paulo - Capital

(destaque para as galerias e tanque batismal ao fundo)



Sob a designação oficialmente reconhecida de “Casas de Oração”, a Congregação Cristã têm se dedicado laboriosamente à edificação das mesmas, ao longo deste primeiro século de implantação em território brasileiro. Sua finalidade primeira consiste (conforme já demonstrado), não em abrigar a Divindade ou tê-la como “residente” no referido “lócus”. Aliás, não se acredita que o Ente Divino nela fixe morada, antes, manifeste-se por ocasião das convocações eclesiais (reuniões/ “cultos” e afins). Tem, pois, por escopo, acolher, acomodar e adequadamente distribuir sua “membresia”.

Os ditames e parâmetros especificamente direcionados as suas construções primam pela sobriedade e harmonia de traços, pressupondo um espaço minimamente “dispersivo” (sob a óptica sensorial). Pretende-se assim, acautelar-se acerca dos “ruídos visuais”, via de regra, comuns aos estilos arquitetônicos ditos litúrgicos, tais como o barroco. Desta forma, tem-se um ambiente predominantemente “silente” e assaz favorável à introspecção.

Muito embora, precavida acerca dos excessos, a Congregação Cristã esmera-se em suas edificações, imprimindo-lhes uma sutil atmosfera de “sereno vigor” ( Neste particular, o aparente antagonismo se faz necessário para fins descritivos...) Quanto às tonalidades cromáticas, predominam o branco, cinza, azul ou tons “pastel” em medidas sobrepostas... Mais um elemento a corroborar com o primordial propósito de se predispor os presentes à espiritual elevação e sintonia.

Ao fundo, em negrito (e sob proporcional distribuição), visualiza-se o lema unanimemente reconhecido: “EM NOME DO SENHOR JESUS” (“E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” -Colossenses, 3:17 ). Esta deliberação, deu-se via glossolalia e interpretação ("karismas").

Quanto à configuração vigente, nada há de excepcional. Salvo raríssimas exceções (como a "Casa de Oração" Central / São Paulo - capital) o prédio constitui-se de:

I- Salão central ou nave (retangular ou quadrado)
II -“ Átrio” ou “ * nartéx” da fachada
III - “ Átrio” ou “ * nartéx” laterais (variando entre dois e quatro)
IV - Sanitários
V - Zeladoria/Residência do Zelador local.

Nas “Casas de Oração” “centrais” de cada localidade, costuma-se incluir a “Sala de Assembléias” (“Conselho”), Sala das Obras Pias (Diáconos), além dos tanques batismais e seus respectivos vestiários. Elementos outros, como cozinhas, alojamentos e enfermarias podem ser incluídos segundo as necessidades locais.

* “O termo arquitetônico nártex (do latim “narthex”, e origem grega “narthikas”, (νάρθηκας), refere-se, em sentido lato, à zona de entrada de uma edificação. Também outras designações podem surgir associadas a este termo, como átrio, vestíbulo, galilé" ...



“Casa de Oração” Padrão
(átrio frontal longo - atualmente o mais habitual)


Segundo dados atuais, a Congregação Cristã dispõe de cerca de 19.000 Casas de Oração, distribuídas por todo o território nacional, além de suas congêneres (ou co-irmãs) dispersas pelos cinco continentes. Segundo fontes diversas, calcula-se que a cada dois dias sejam oficialmente abertas três Casas de Oração em solo brasileiro.

Além das Casas de Oração "Padrão Universal", novas modalidades arquitetônicas encontram-se em estágio "probatório" ou de experimentação. A redobrada cautela em relação a tais construções, deve-se, não necessáriamente aos aspectos econômicos ou destes decorrentes, mas sobretudo ao fator IDENTIDADE. As Casas de Oração erigidas pela Congregação Cristã, tornaram-se uma espécie de reflexo da própria instituição, enunciando em sua configuração alguns dos predicados típicos ao segmento. Entre eles, a COESÃO e UNIDADE grupal. Isto posto, preza-se sobremaneira pela manutenção e preservação de tais caracteres. A propósito, a 72ª Assembléia Geral, realizada no ano de 2007, já pontuou tal questão, emitindo parecer deliberativo em caráter oficial ("Construções Suntuosas e Extravagantes" /Tópico XV).

Casa de Oração Central

Curitiba/P.R


Seja como for (e, tomando-se as precauções cabíveis) algumas capitais, já tem lançado os fundamentos de novos e arrojados projetos na área, como Curitiba, Campo Grande, Goiânia, entre outros... Mesmo cidades de menor porte, como Cascavel, no interior paranaense, tem investido em materiais e estilos até então inusitados.


Audacioso e arrojado projeto

(já em execução)

Com relação ao projeto supra-citado (Cascavel, Estado do Paraná), é possivel visualizá-lo com maior precisão (via animação computadorizada) pelo link: http://www.youtube.com/watch?v=zQfI8QUuTKY

6 comentários:

  1. Parabêns por este expressivo blog, que possui postagens arqueológicas e históricas que sustentam a teologia Bíblica.
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  2. OLá graça e paz . Passando para conhecer seu espaço, benção pura. Parabéns pelo conteúdo tão informativo e com tanta exposição de fatos históricos adentrados biblicamente. Se quiser nos visitar será uma alegria.
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    Parabéns!!!

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    Gostei do que vi e li, e achei um blog fantástico, onde se aprende muito.
    Sou António Batalha, do blog Peregrino E Servo, se me der a honra de o visitar ficarei grato.
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    Desejo-lhe muita saúde muita paz e grande felicidade, e também um Feliz-Natal.

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